By Eden Antonio
“A arte não é um espelho para refletir o mundo, mas um martelo para forjá-lo.” – Bertolt Brecht
Há actrizes que interpretam personagens. E há aquelas que se tornam canalizadoras de verdades tão profundas que rasgam a tela e entram nas nossas almas. Lorraine Toussaint é uma destas forças. Mulher, negra, caribenha, imigrante, artista. Cada linha do seu rosto conta uma história de resistência. Cada personagem que encarna é um manifesto sobre poder, vulnerabilidade e humanidade.
Numa indústria que frequentemente reduz mulheres negras a estereótipos, Lorraine escolheu papéis que desafiam, perturbam e inspiram. Da tenebrosa Vee Parker em Orange Is the New Black à resiliente Winnie em The Equalizer, ela não actua, ela mora nos filmes e nas series de TV, o seu trabalho, a sua arte é fenomenal, cada filme um aula de interpretação e resistência mental. E através da sua arte, ecoa as mesmas lutas que temos explorado juntos: a injustiça sistémica, a resistência palestina, a força das mulheres invisibilizadas.
Este texto é uma homenagem à sua jornada. E uma exploração de como a arte pode ser ferramenta de libertação.
1: As Raízes da Resistência – A Jornada Pessoal
Lorraine nasceu no Trinidad e Tobago, mas cresceu no Brooklyn. Filha de uma enfermeira e um motorista de autocarro, aprendeu cedo que a dignidade não vem do que se tem, mas de quem se é. Numa entrevista, contou: “Minha mãe dizia: ‘Nunca deixes ninguém fazer-te sentir menos.’ Ela limpava chão, mas carregava a cabeça como uma rainha.”

Essa lição tornou-se sua bússola. No início da carreira, recusou papéis que reduziam mulheres negras a caricaturas. “Prefiro trabalhar numa padaria do que representar mentiras,” disse a um agente. Essa integridade custou-lhe anos de struggle. Mas quando a oportunidade chegou, veio com a força de um furacão.
2: Vee Parker em Orange Is the New Black – O Poder e a Sombra
Como Vee, Lorraine entregou-nos uma das vilãs mais complexas da televisão. Vee não era má por prazer – era produto de um sistema que esmaga os fracos. Lorraine explicou: “Vee é o resultado de uma sociedade que nega oportunidades. Ela não nasceu monstro; foi criada por um mundo monstruoso.”
Numa cena icónica, Vee diz: “You gotta take what you want in this life, ‘cause ain’t nobody gonna give it to you.” (Tens de tomar o que queres nesta vida, porque ninguém te vai dar). A frase ecoa a luta de milhões que sobrevivem nas margens.
Ligação aos Nossos Textos:
Como as mulheres palestinas, Vee usa criatividade brutal para sobreviver num sistema prisional (literal ou geopolítico). Ambas são filhas da resistência nascida do desespero.
3: Winnie em The Equalizer – A Mãe que é também Guerreira
Como Winnie, Lorraine é a espinha dorsal de uma comunidade. Winnie é a tia sábia, a curandeira, a que resolve problemas nos bastidores. Lorraine diz: “Winnie representa todas as mulheres negras que sustentam bairros inteiros com sua força silenciosa.”
Numa cena poderosa, Winnie confronta um gangster: “You think fear is your weapon? Baby, we invented fear.” (Pensas que o medo é a tua arma? Querido, nós inventámos o medo).
Ligação aos Nossos Textos:
Winnie é a versão moderna das mulheres palestinas que protegem suas comunidades sob bombardeios. Ambas entendem que a verdadeira força não grita, age.
4: The Equalizer e a Justiça nas Próprias Mãos
A série The Equalizer (onde Lorraine co-estrela) é um estudo sobre justiça popular. O personagem de Queen Latifah (Robyn McCall) é uma ex-agente da CIA que ajuda os esquecidos. Lorraine, como Winnie, é sua âncora moral.
A série ecoa temas que explorámos:
- Injustiça Sistémica: Cada episódio expõe falhas no sistema.
- Resiliência Comunitária: As soluções vêm de dentro, não de heróis externos.
- O Poder das Redes: Winnie é a tecelã de uma rede de apoio invisível.
5: Lorraine A Voz do Activismo
Lorraine usa sua plataforma para amplificar vozes silenciadas. É activista pela justiça racial e pelos direitos das mulheres. Numa marcha Black Lives Matter, declarou: “Art must disturb the comfortable and comfort the disturbed.” (A arte deve perturbar os confortáveis e confortar os perturbados).
É também mentora de jovens actrizes negras. “Minha missão é estender a escada que me faltou,” diz.
6: A Interseccionalidade na Arte – Ligando as Pontes
Lorraine personifica a interseccionalidade:
- Raça: Luta contra estereótipos negativos.
- Género: Recusa papéis que objectificam mulheres.
- Classe: Dá voz aos trabalhadores invisíveis.
Sua arte reflecte as mesmas camadas que discutimos em:
- Empreendedorismo Inclusivo: Como as mulheres da NASA, ela abre portas para outras.
- Resistência Palestina: Como Yara em Gaza, ela transforma dor em poder.
- Business Acumen: Como o Tio Patinhas, ela investiu em autoconhecimento para vencer.
O Martelo e a Estrela
Lorraine Toussaint é mais do que uma actriz. É um farol. Através de personagens como Vee e Winnie, ela lembra-nos que a força não é ausência de medo, mas a coragem de agir apesar dele.
Sua jornada ecoa a de todas as heroínas sobre quem escrevemos:
- Como Dorothy Vaughan (NASA), ela desbravou caminhos em territórios hostis.
- Como Yara (Gaza), ela transformou perda em potência.
- Como Madam C.J. Walker, ela construiu um império com determinação.
Num mundo que tenta silenciar os marginalizados, Lorraine ergue um autofalante e diz: “Ouçam-nos. Vejam-nos. Somos humanos.”



Que sua arte continue a ser martelo e estrela a desfazer worlds injustos e a iluminar caminhos de esperança.
Para Saber Mais:
- Assista Orange Is the New Black (Netflix) e The Equalizer (CBS).
- Siga Lorraine no Instagram: @lorrainetoussaint
- Apoie organizações de justiça racial que ela defende: Black Lives Matter, NAACP.
“A arte de Lorraine não entretém. Transforma.” – Critico do New York Times
